20 de dezembro de 2007
Como foi o ano de 2.007 para mim?
Meu pai faleceu em outubro de 2.006. Ele e minha mãe estavam separados há 15 anos. Num primeiro momento achei que a perda seria amena, mas ela veio sufocante. Talvez pelos quinze anos de afastamento. Sufocava-me pensar no que não tinha acontecido, mas que poderia ter ocorrido caso eu tivesse sido menos birrenta, mais madura. Foi duro. Cem dias depois da morte do meu pai, meu irmão mais moço, com 28 anos, sofreu um acidente de carro. No acidente o cérebro foi atingido. Na primeira cirurgia, para manter a vida, foram necessárias 40 bolsas de sangue. Ele ficou em coma durante 63 dias. Neste período me desdobrei cuidando do meu padrasto, apoiando minha mãe e minha irmã, viajando para os hospitais que receberam meu irmão. Pensei muito na vida, na morte, no crer em algo e no amor. O que me motivava a viajar quilômetros, dormir pouco, comer menos e esperar? Parecia loucura. Parecia desespero. Eu já não sabia nada. Descobri algo quando segurei a mão do meu irmão imóvel, com quem nunca mais falei, e senti uma vibração inexplicável. Chorando descobri que aquilo tudo era amor. Amor ao meu irmão. Amor a minha família. Amor à vida. Meu irmão faleceu em março deste ano. Deixou a saudade, que muitas vezes arde no peito. Mas também deixou aquele amor. Amor incondicional. Um sentimento que não cobra, não exige. Apenas se sente e pronto. Foram 63 dias sem trocar uma palavra, um gesto. Sem saber se ele sentia frio, calor, dor, sede, fome, angústia. Mas também foram dois meses e três dias de união, fortaleza, reencontros e amizade.
Meu pai faleceu em outubro de 2.006. Ele e minha mãe estavam separados há 15 anos. Num primeiro momento achei que a perda seria amena, mas ela veio sufocante. Talvez pelos quinze anos de afastamento. Sufocava-me pensar no que não tinha acontecido, mas que poderia ter ocorrido caso eu tivesse sido menos birrenta, mais madura. Foi duro. Cem dias depois da morte do meu pai, meu irmão mais moço, com 28 anos, sofreu um acidente de carro. No acidente o cérebro foi atingido. Na primeira cirurgia, para manter a vida, foram necessárias 40 bolsas de sangue. Ele ficou em coma durante 63 dias. Neste período me desdobrei cuidando do meu padrasto, apoiando minha mãe e minha irmã, viajando para os hospitais que receberam meu irmão. Pensei muito na vida, na morte, no crer em algo e no amor. O que me motivava a viajar quilômetros, dormir pouco, comer menos e esperar? Parecia loucura. Parecia desespero. Eu já não sabia nada. Descobri algo quando segurei a mão do meu irmão imóvel, com quem nunca mais falei, e senti uma vibração inexplicável. Chorando descobri que aquilo tudo era amor. Amor ao meu irmão. Amor a minha família. Amor à vida. Meu irmão faleceu em março deste ano. Deixou a saudade, que muitas vezes arde no peito. Mas também deixou aquele amor. Amor incondicional. Um sentimento que não cobra, não exige. Apenas se sente e pronto. Foram 63 dias sem trocar uma palavra, um gesto. Sem saber se ele sentia frio, calor, dor, sede, fome, angústia. Mas também foram dois meses e três dias de união, fortaleza, reencontros e amizade.
A morte não é um fim e sim um recomeço. É a oportunidade de uma nova vida. Nossa família, que estava afastada, agora é muito mais unida. Estamos juntos, mais fortes. Mais calejados, isto é verdade, pois quem se entrega à vida se machuca. Fica arranhado. Só que estas pessoas também engrandecem o coração. E que coração!!!!
Criamos a Associação Chico Viale para trabalhar na captação de doadores de sangue. Cerca de 900 doadores já atenderam aos chamados da Associação. Tivemos a oportunidade de perceber que olhando para os outros amenizamos a nossa dor. Além de ver meu irmão vivo em cada bolsa de sangue que salva outras vidas.
O ano de 2.007 começou doloroso, com o coração sangrando. O ano está terminando envolto de muita ternura e solidariedade. E eu só tenho a agradecer a esta transformação toda.
Patrícia Soares Viale
rua Tiradentes, 67 São Francisco de Paula - 95.400-000 RS
54 9925.5761
Comentários
Postar um comentário